Nos dias em que estive fora aconteceu um grande debate em alguns blogs internacionais sobre a validade de comentários em blogs. A discussão é antiga, mas sempre que volta à tona, as circunstâncias são diferentes e o “redebate” é válido.
O estopim foi a decisão de Matt Gemmell em remover o recurso do seu blog. No primeiro post, em que a informou, ele listou os motivos para tal e as formas alternativas para responder aos seus textos — basicamente posts em outros blogs, redes sociais e email. No follow-up, 30 dias depois de desligar os comentários, ele aconselhou:
“Eu não voltarei atrás mesmo. Se você tem um blog, aconselho que considere acabar com os comentários também.”
As reações foram bem adversas e, como o esperado, teve respaldo de quem não aceita comentários e críticas do que sim. O próprio Matt fez um compilado delas, destacando trechos mais contundentes/interessantes, dos quais retiro um do TechCrunch, por Josh Constine:
“Os comentários mantêm os blogueiros humildes, honestos, precisos e em contato com sua audiência. Pessoalmente, gosto de debater com quem acha que estou errado, desde que eles sejam civilizados. Eu valorizo muito meus comentaristas e costumo atualizar meus posts com pensamentos que eles inspiraram ou correções que apontaram.”
Existe comentarista chato, o que não agrega nada e o troll. É o preço que se paga pela abertura oferecida. Em contrapartida, a minoria que acrescenta à discussão vale, e muito. Vira e mexe você lê, por aqui, pautas, comentários e opiniões fomentadas e fornecidas via comentários. Ou via Twitter e email, mas, talvez, só porque essa galera, vocês, se sente em casa através das discussões que se desenvolvem após cada post publicado.
Já tive a experiência de manter um blog sem comentários — o meu, pessoal. Ele nunca foi tão popular ou comentado quanto o próprio Gemind, então não serve de parâmetro para comparações, mas a experiência do lado de cá é mais solitária. Mais chata. Menos enriquecedora.
Se há um ponto que deve mudar e se adequar à realidade é a interação com redes sociais. No início da década passada não havia Facebook, Twitter, nada disso, logo, os comentários desempenhavam papel central na interação entre blog e leitores. Hoje, sobram canais, a discussão está fragmentada — vira e mexe rolam discussões extensas e bem interessantes no Google+ mesmo com +200 seguidores, a menor comunidade do Gemind.
MG Siegler (que não tem espaço para comentários):
“Conheço Ha [fundador do DISQUS] tem um tempo e respeito muito suas ideias nessa área. Ha criou um grande produto — um que ele espertamente sabe que precisa ir além dos comentários em blogs. No caso do DISQUS, os comentários são um gancho para potencialmente atrair pessoas para algo maior.
De forma mais ampla, Ha espera redefinir os comentários na web. Outros como LifeFyre e Roundtable estão trabalhando nisso também. Isso soa bem a mim. Eu espero que eles consigam. Mas isso não acontecerá neste site.”
O LiveFyre tem um interessantíssimo esquema de citar, nos comentários, contatos no Facebook ou Twitter, expandindo a discussão para essas redes, intercalando-as, criando a simbiose que falta. O grande quebra-cabeça é expandir essa integração para os debates em si, conectar as discussões de modo que, não importa onde, não importa como, os comentários estarão presentes e sincronizados. Quem fizer primeiro, terá um grande trunfo para a segunda geração de comentários na web.

Bah, acho que o Matt Gemmell acabou dando um tiro no pé, notou a cagada e está tentando forçar os demais a caírem no buraco com ele. Concordo com o comentário do Josh Constine. Está correto.
Eu acho importante os comentários. Por vezes aprendi mais, ou me aprofundei mais sobre um assunto lendo os comentários. Particularmente acho bem interessante a forma com que o Augusto do Brlinux implementou o sistema dele, de modo que os próprios leitores também fazem a moderação dos comentários. Aliás, a pouco tempo ele postou um texto onde falava sobre isso.
Creio que cada blogueiro ou dono de site tem sua opinião. E tirar, limitar ou deixar livre os comentários mostra a identidade de cada blog.
Tem site ou blog que nem deveria ter comentário aberto pois sabe que cada matéria / post / conteúdo colocado acaba atraindo pessoas que não contribuem em nada ou acabam provocando guerras de egos ou gostos / idéias pessoais. E do jeito que hoje as pessoas na internet consideram “trollagem” algo divertido, imagino a dificuldade de moderar esta área pública.
Fora o fato dos preconceitos e visões equivocadas de muitos sobre discussões na internet. A frase do texto mesmo e que o vpozzebon lembrou está certa: “Pessoalmente, gosto de debater com quem acha que estou errado, desde que eles sejam civilizados.”. Essa é a chave.
As pessoas chegam nos comentários e falam negativamente ou ofensivamente sobre o conteúdo. “Que b…, matéria comprada, isso é gosto pessoal, parcialidade (lembrando do texto sobre parcialidade daqui), etc…”. Parece que as pessoas se ofendem e não sabem colocar um contra ponto inteligente, falar “Olha, está errado porque acontece isso, aquilo e aquilo outro.” Daí que começam as boas discussões.
Conversar e discutir muitas vezes é uma arte, pois tem que saber lidar com as infinitas personalidades que existem neste mundo, sem conflitar.
Se não fosse o espaço dado aos comentários, eu não teria começado a escrever textos pela internet (seja no blog onde escrevo e/ou nas redes sociais): alguns comentários são construtivos mas, infelizmente, são poucos os autores que parecem aprender com eles.
Aliás, sou conhecido pela péssima mania de corrigir detalhes os quais até outros comentaristas se incomodam ao serem exibidos: quando peço para que determinado autor corrija abreviatura de unidade de medida de acordo com o sistema internacional, por exemplo, tal autor muitas vezes diz que “eu adoto isso no meu blog e pronto”. Isso quando não há um clima velado de censura à correções.
Eu acho que é legal o comentário, que desenvolve o tema postado, e uma das coisas que mais admiro aqui no gemind, é como a educação é mantida. Esses dias teve um caso que não vou lembrar que post foi, em que um comentário ficou ofensivo e o autor, volta e pede desculpas pela maneira que expôs sua opinião, mesmo que a opinião continue a mesma. Debater o tema sem “bater ” em quem discorda. Coisas linda é gente educada e civilizada! Mesmo que discordante!
Eu, assim como os demais comentários anteriores, concordo sim em manter um local de discussão. Acho que cada tema, mesmo que muitos caibam nesse parâmetro, tem sua preferência por comentários. Por exemplo, em portais, como G1 e demais, acho desnecessário. Eles estão ali para passar a noticia, se você for verificar, os comentários são inúteis.
Mas no nosso caso, principalmente quando envolve tecnologia, hardware, jogos e todo esse universo, são assuntos que geram discussões, opiniões, debates mesmo e na maioria, são construtivos sim.
Acho que ao eliminar os comentários um blog sai empobrecido, pois pois elimina-se a possibilidade de explorar outros pontos de vista ou detalhar o que foi escrito pelo autor.
Sobre o risco de atrair trolls, considero que “faz parte do negócio”. Basta ignorá-os que eles somem.
Em relação à integração com as redes sociais, acho algo um pouco complicado. Não consigo imaginar como produtivo levar uma discussão mais técnica do Gemind para um Facebook ou Orkut…
Bom dia pessoal,
Ghedin o nome do serviço citado está certo mas o link está errado!
LiveFyre > http://www.livefyre.com/
Opa, valeu! Acabei de corrigir o link.
[]‘s!