[MWC 2012] Números enormes do Android (e nem tanto dos tablets Android)

Stand do Android no Mobile World Congress 2012.

Android no MWC 2012. (Clique para ampliar)

Andy Rubin está bem falante no MWC, onde o Google tem um stand gigantesco (esse da foto acima) e o executivo bateu um papo com jornalistas presentes.

No que se refere aos números absolutos do Android, o vice-presidente sênior de mobile do Google tem lá seus motivos para estar eufórico. A lista abaixo traz alguns destaques do robô verde:

  • 850 mil ativações por dia (há dois meses, eram 700 mil);
  • 300 milhões de dispositivos Android ativados no mundo inteiro;
  • Mais de 800 dispositivos Android já lançados;
  • 450 mil apps disponíveis no Android Market (há um ano eram 150 mil);
  • 1 bilhão de downloads de apps no Market por mês;

A beleza dos números some, porém, quando o tema “tablet” entra em cena. Em dois anos, só foram vendidos 12 milhões deles. Pode parecer um número grande, mas Rubin afirmou que está abaixo do que o Google esperava. E se o colocarmos em perspectiva, dá para entender seu descontentamento: no último trimestre a Apple vendeu 15 milhões de iPad.

Apesar da situação ruim, Rubin afirma que vai para o tudo ou nada com o Android para tablets em 2012 para “garantir que estamos vencendo nesse espaço”, frase meio difícil de compreender se considerarmos que o “vencendo” ali foi dito em sentido literal. Ainda segundo ele, o que falta ao Android é um maior senso de unidade junto aos compradores potenciais:

“[O maior problema do Android é que] não há uma forma organizada de os consumidores reconhecê-lo como uma plataforma viável. O consumidor instruído nota que ele está também escolhendo o ecossistema da Apple ou da Microsoft ou do Google… nós faremos um trabalho melhor no sentido de fazer as pessoas entenderem qual ecossistema elas estão comprando.”

Quando questionado sobre a crítica questão da falta de apps otimizados para tablets, o desanimador discurso de manter essas versões e as para smartphones unificadas foi trazido de volta:

“O Android é único em ser uma plataforma única que alcança tipos de dispositivos. Fundamentalmente, você não deveria ter um desenvolvedor terceiro fazendo seu app duas vezes. (…) É preciso um processo de educação e os desenvolvedores precisam fazer seu trabalho [de otimização de apps para tablets]. Eles já estão fazendo esse trabalho para outras plataformas.”

O que Rubin quer dizer é que, no Android, o ideal é ter apenas um app que se adapte à interface com a utilização da API Fragments. Alguns apps, como o do WordPress, já fazem isso e embora a qualidade dos que eu experimentei fique longe dos equivalentes do iOS, é um ponto positivo para tornar tablets Android mais atraentes — é extremamente chato se deparar com situações como esta, infelizmente ainda bem comuns nesses aparelhos.

API Fragments permite escrever apps que funcionem em smartphones e tablets.

Desenho da API Fragments.

Independente da oferta de apps ou do nível de instrução dos clientes, existe outra teoria que atribui o fracasso do Android em tablets não ao próprio sistema, nem à falta de apps, a nada disso, mas à ausência das operadoras como intermediárias na relação fabricante-cliente — o que, por tabela, explica o estrondoso sucesso dos smartphones Android e, também, o porquê dele não impressionar em números mais relevantes do que o de ativações e vendas absolutas, como os de rentabilidade.

O Android é o sistema preferido das operadoras devido à liberdade que elas têm em customizá-lo, coisa que as outras plataformas não permitem. Nessa, quando o consumidor médio/desavisado chega a uma loja para comprar um celular, o Android lhe é empurrado não por ser melhor, mais bonito ou mais fácil, mas por ser o queridinho das operadoras. Tem muito desavisado que compra o que lhe empurram, é assim e sempre foi.

Faz bastante sentido e justifica a decisão do Google de se “abrir” tanto às operadoras. Ainda que dessa relação advenham problemas bem desagradáveis (bloatware/crapware, travamento de bootloaders, versões diversas de aparelhos, abandono de modelos sem atualização do sistema), no fim do dia ela entrega o que o Google busca: vendas de aparelhos Android. Sem falar que os tais problemas só afetam ao público mais técnico, à menor parcela de consumidores; a maioria dos que compram um smartphone só quer falar, trocar mensagens e acessar o Facebook. Isso até o Android 1.5 faz…

Como no mercado de tablets a venda deles atrelada a planos de operadoras é bem menos comum, quase rara, acaba que o trunfo usado com os smartphones não se aplica. Resultado: tablets encalhados e passando vergonha nas prateleiras e rankings de vendas.

[Google Mobile Blog, @Arubin, The Verge]

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