Por que os smartphones Android topo de linha são todos gigantes?

Homem segurando um Galaxy Note.

Com 5,3", o Galaxy Note se aproxima dos tablets em dimensões.

A linha que separa smartphones de tablets está curta — o Galaxy Note a puxou para menos de 2″ de distância. De tempos em tempos novas tendências são vistas no universo móvel. Há muito houve a corrida da miniaturização, com aparelhos cada vez menores. Hoje, a disputa é no sentido contrário. Temos smartphones GIGANTES à disposição.

Mas se você reparar bem, verá que os tamanhos avantajados têm sempre o mesmo “cérebro”, o Android. De uns tempos para cá tornou-se tarefa difícil, quiçá impossível, encontrar modelos de ponta com tela menor que 4″ — no filtro do Phone Arena o único modelo “pequeno” com 4G/LTE já disponível é um da Samsung, de 3,5″ e com a incrível resolução de 320×480.

Imagino que exista uma grande demanda para telas enormes e, honestamente, é uma delícia ler e assistir a vídeos nesses pequenos grandões. Mas na outra ponta também há quem queira telas menores — as 3,5″ do iPhone, que continua vendendo como pãozinho quente, é a maior prova disso. Eu mesmo preferiria um smartphone menor; como relatei na análise do Galaxy S II (4,3″), achei-o grande para minhas mãos — e olha que elas nem são tão pequenas assim.

Qual o motivo de não haver smartphones Android topo de linha com menos de 4″?

iPhone 4S ao lado de um Galaxy Nexus.

iPhone 4S e Galaxy Nexus: tamanhos e filosofias diferentes.

São dois suspeitos, levantados por Jim Kin e John Gruber. Kim acredita que a febre de telas grandes advém da necessidade de se fazer frente ao Retina Display do iPhone, que condensa 960×640 em 3,5″, resultando em 326 PPI. Devido à forma como o Android renderiza textos, manter essas dimensões com o sistema resultaria num problema comum nos desktops (ao menos no passado): elementos excessivamente pequenos na tela. A saída? Aumentar a resolução e as dimensões físicas do display. O universo Android chegou ao patamar do 720p para a tela. São 1280×720 pixels em superfícies de +4″.

A teoria de Gruber é igualmente interessante e corroborada pelos novos Windows Phone com 4G/LTE, Lumia 900 e Titan II (4,3″ e 4,7″, respectivamente). Segundo ele, os atuais chips LTE são grandes. Para inseri-lo em um aparelho sem sacrificar a bateria, é preciso aumentar o espaço físico (PCB) do dispositivo. O Galaxy Indulge, aquele smartphone LTE com 3,5″ citado no início do post, bate com essa premissa: a autonomia estimada é de apenas 3h de conversação, muito abaixo da média dos aparelhos lançados em 2011, ainda segundo o Phone Arena, de 8h.

Nenhuma fabricante jamais confirmará essas teorias, elas dirão que tela grande é melhor e blablablá, mas tudo faz muito sentido. Isso, claro, até ser tecnicamente viável a produção de smartphones 4G/LTE menores. Aí o discurso mudará. A Qualcomm, que lidera a produção de modems do tipo, prevê o lançamento do MDM9615, produzido em 28 nm, para o segundo semestre de 2012. Depois disso é muito provável que presenciemos uma gradual redução no tamanho dos aparelhos e, aí sim, no segundo semestre, o aguardado iPhone LTE.

Não que faça muita diferença por aqui, ainda. Não temos redes 4G. Mas, como desde sempre, estamos à mercê dos lançamentos externos. Uma ou outra coisa é projetada em solo brasileiro, na maioria dos casos aparelhos mid-end para baixo.

Dá-lhe telas gigantes. E que as fábricas têxteis aumentem o tamanho dos bolsos das nossas calças jeans.

Fotos: Android Central, TechWorld.

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Publicado em Curiosidades
10 comentários sobre “Por que os smartphones Android topo de linha são todos gigantes?
  1. Eduardo Tello disse:

    Eu fico com a teoria que o chip LTE é grande e a bateria também, o que precisa de espaço. Para não sacrificar a espessura do aparelho, eles aumentam a tela, que também aumenta a resolução.

  2. Juarez disse:

    Um colega de serviço comprou um Samsung Note para a filha de 15 anos.
    Nem ela nem as amigas acharam a tela grande demais.
    Ao contrário, adoraram.

  3. Marcos A. S. Almeida disse:

    No Giz , invariávelmente eu encontro matérias falando mal do Android ou falando bem dele como esta => http://www.gizmodo.com.br/conteudo/10-motivos-para-fazer-root-no-seu-android/
    Desculpe á quem possa ofender e pode ser até uma impressão errada , mas muitas matérias daqui em que o assunto é o Android é para malhar ele e á reboque enaltecer as qualidades do Iphone.Até quando se fala do Galaxy Tab 10.1 , quem “surpreendentemente” aparece no texto?Sim ele mesmo.
    Friso que acesso muito mais o Gemind – e comento também – do que o Gizmodo, portanto me identifiquei muito mais com essa “casa”.Mas infelizmente a minha impressão é essa.Se Odin fabricou o colosso Mjolnir ,Steve Jobs fez o mesmo com o Iphone .Ao menos por aqui é essa a visão.
    PS: não tenho nenhum smartphone

    • A gente gosta do Android :-)

      Se há mais matérias criticando a plataforma do Google do que a da Apple, isso significa alguma coisa. Talvez que sejamos “macfags”, o que não acho que seja o caso — acho que só o Joel tem Mac por aqui e eu e ele, iPad. Eu prefiro ver de outra forma: que a plataforma do Google está mais “verde” e, como tal, apresenta mais problemas.

      Note que enchi de elogios o Galaxy S II na nossa análise porque… bem, porque ele mereceu. É um puta aparelho, otimizado e redondo para o Android. Outro indício interessante: a culpa é do sistema ou das fabricantes que fazem um serviço porco com ele? Curiosamente, a mesma Samsung mostrou que dá para estragar bastante o robô verde quando quer, no Galaxy Tab 10.1. A comparação com o iPad acaba sendo inevitável nessa seara — é o melhor tablet que existe e, até o momento, ainda não encontrou concorrentes. Eu poderia botar um cabresto e falar do Tab 10.1, mas acredito que comprometeria a análise, que seria injusto com os leitores que, pelo menos em sua maioria, não esperam uma revisão das características técnicas, mas um apanhado de impressões. Sendo assim, não tenho como dar as minhas impressões sem levar em conta todo o meu background.

      Essa questão de (im)parcialidade é delicada e sempre gera alguma revolta. Aqui, não escondemos de ninguém que somos parciais — o que não quer dizer, em absoluto, que somos injustos. Podemos até ser, às vezes, mas jamais de caso pensado. Opiniões discordantes são aceitas, bem-vindas, incentivadas, inclusive. Adoro debater com quem pensa diferente de mim, creio que o resto da equipe, também. Defenda o seu ponto de vista, traga novos argumentos, rebata os nossos; isso enriquece a discussão e faz do site uma “casa” (adorei o termo!) mais agradável para todos que nela habitam ;-)

      []‘s!

  4. Saint-Clair Stockler disse:

    Independentemente de qualquer coisa, acho 3,5″ pouco para mãos masculinas, ou, ao menos, para a maioria das mãos masculinas. Mais do que 4″ também já começa a sair do domínio do “necessário e confortável” para o da mera preferência pessoal.

    Tenho um iPhone e o tamanho da tela é a segunda coisa que mais me irrita (a primeira é a duração da bateria, claro).

    Temos de nos lembrar que um telefone já deixou de ser apenas um telefone há muito tempo. Para muitos de nós é o auxiliar do nosso desktop/notebook. Quando estou dentro de um ônibus, por exemplo, respondo normalmente aos emails que vão chegando (o que não daria pra fazer com um notebook ou tablet; quem é maluco de puxar um aparelho desses pra fora da mochila em pleno Hell de Janeiro?). Além disso, para muitos o telefone também é o ebook reader e/ou o visualizador de vídeos e filmes. Fico só nesses dois exemplos e pergunto: quem ficaria feliz fazendo essas coisas numa telinha pequena?

    Estou convencido de que o “ideal” são mesmo telas de 4″. E gostaria que a Apple aumentasse o tamanho da tela do iPhone em sua próxima versão do aparelho.

  5. Rodrigo Fante disse:

    A questão do conforto é relativa, eu pessoalmente me sinto desconfortável com telas maiores que 4″, nenhum que testei até hoje passou no teste de colocar no bolso e abaixar para amarrar o tênis e não incomodar.

    Ainda, acima de 4″ não consigo acessar a tela toda sem usar duas mãos.

    Ou seja, para meu uso, perco portabilidade(não vai ficar no bolso) e perco uma mão pois terei que usar ambas para utilizar o aparelho.

    Independente do sistema, smartphone até hoje, dentre todos que testei, não pode ter mais que 4″, repito, para meu uso.

    Pode ser que mude de opinião amanhã? Claro! mas até o momento ainda não fui convencido de que telas maiores no conjunto da obra são melhores.

  6. Putz cara. Esse tema já rolou lá pelo Droider algumas vezes justamente pelo que você destacou. A telona tá deixando de ser opção e tem que ser bem tapado pra não perceber. “Ah… mas você pode comprar um Galaxy 5.” Não, caramba, eu quero um Android hi-end sem ser obrigado a andar com um tablet no bolso e isso tá começando a ficar preocupante.