Gabe Newell: “Pirataria é quase sempre um problema de serviço, não de preço”

Foto de Gabe Newell.

Gabe Newell, homem-forte da Valve, dona da maior loja de jogos via download do mundo, o Steam, tem uma visão, compartilhada pela empresa que co-fundou, bem peculiar sobre a pirataria. Abaixo você lê uma tradução de alguns pitacos de Gabe a respeito do tema:

“Achamos que existe uma ideia fundamentalmente errada sobre a pirataria. Pirataria é quase sempre um problema de serviço, não de preço.

Por exemplo: se um pirata oferece um produto em qualquer lugar do mundo, 24/7, comprável da conveniência do seu computador e o detentor legal diz que o produto é travado por região, que só chegará ao país em questão três meses depois do lançamento nos EUA e só poderá ser comprado numa loja física, então o serviço pirata tem mais valor.

A maioria das soluções de DRM diminuem o valordo produto, seja restringindo diretamente o uso por parte do consumidor, seja criando incertezas.

Nossa meta é criar um serviço melhor que o dos piratas e isso tem sido um sucesso a ponto de a pirataria basicamente não ser um problema para a nossa empresa. Por exemplo, antes de entrar no mercado russo, nos disseram que a Rússia era uma perda de tempo porque todo mundo piratearia nossos produtos. A Rússia está prestes a se tornar nosso maior mercado na Europa.

Nosso sucesso vem de nos certificarmos de que ambos clientes e parceiros sintam-se como se eles tirem um grande valor agregado dos nossos serviços. Eles podem confiar de que não tiraremos vantagem da relação que temos com eles.

Geralmente pensamos em nós mesmos como centrado o cliente em vez de centrado na produção. A maioria das nossas decisões é baseada na evolução rápida de oportunidades para servir melhor nossos clientes, não em otimizar para sermos uma empresa de games ou distribuidor digital melhor. Essa última visão seria mais como uma camisa-de-força do que uma ajuda conceitual.”

As declarações foram dadas numa entrevista ao Cambridge Student que vale a lida integral.

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A propósito, o último fim de semana foi recheado de promoções de games para PC. Você comprou alguma coisa? Então comente neste tópico do nosso recém-inaugurado fórum.

Via IGN.

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Publicado em Notícias
13 comentários sobre “Gabe Newell: “Pirataria é quase sempre um problema de serviço, não de preço”
  1. Moskitin disse:

    Eu concordo com ele… se você atrela um serviço ao produto este se torna único, diferenciando do produto pirata, cujo acesso aos conteúdos exclusivos é muito menor. O sucesso do Steam prova isso, assim como a Battlenet da Blizzard. Na minha opinião, a tendência é que os softwares tenham muito relação cada vez mais próxima com serviços na web, por exemplo, pois é mais fácil controlar as ações do usuário, sem amarrar a utilização do produto.

  2. André disse:

    O conceito de pirataria é muito ocmplexo, pois envolve uma gama de fatores. Um desses fatores é o “hehehe, me dei bem”. Conheço engenheiro da Petrobrás que pirateia aplicativo de 99 cents pro seu iPhone.

    Eu j´pa vi camelô vendendo Ubuntu craqueado (sic) em pleno Centro do Rio de Janeiro. O pior? Tinha gente COMPRANDO!

  3. groudas disse:

    Comprei o Cities Xl, $7.

  4. leandrojmp disse:

    Concordo com ele. Já perdi as contas de quantas vezes quis comprar algo em formato digital e dei de cara com algum bloqueio geográfico, DRM, ou ter que esperar um tempo depois do lançamento da versão física.

    Isso pra mim é dificultar a compra. Se a versão pirata tá ao alcance de 2 cliques e você cria um monte de restrições pra conseguir a versão original, desculpa, mas você vai perder boa parte das vendas dos interessados.

    Assim como tem muita gente que vai piratear app de 99 cents, tem gente disposta a pagar, mas acaba não podendo por diversos motivos, e isso acontece com qualquer coisa distribuida digitalmente.

  5. Meu perfil de consumidor concorda plenamente com ele. Compro músicas em disco porque gosto do encarte e, quando o preço da versão em CD é alto, vou direto na iTunes Store e adquiro. É simples, rápido e organizado (isso porque eu uso Android, seria melhor ainda com iPhone/iPod).

    Atualmente, não estou acompanhando nenhuma série, mas nunca cogitei pagar por elas por N motivos: As legendas são piores na versão oficial, o atraso para disponibilização é muito alto, a qualidade do vídeo é pior e a mídia física é muito menos prático que meu HD externo para assistir na televisão e no computador.

    Como vou gastar dinheiro com algo que é PIOR do que o pirata?

  6. gorgulho disse:

    Acredito que em mercados mais maduros ou onde os impostos não distorçam tanto o valor dos produtos, isso tenha muito sentido.

    Mas discordo no geral… Acho que quem quer piratear não está pensando se é fácil ou difícil comprar por esse ou aquele meio. Ele simplesmente quer se dar bem, é cultural. Para os que “costumam pagar pelo que usam”, o problema no Brasil é preço.

    Basta lembrar a surpresa (boa) que a Microsoft teve ao baixar o valor do Office Home para R$200.

    Também um exemplo de serviço (um pouco pior a meu ver) e que está dando certo, tirando proveito do menor valor, a Nuuvem. Me corrijam se eu estiver errado, mas na Nuuvem você precisa esperar um tempo para o PagSeguro liberar o pagamento, não há updates automáticos dos jogos, mas o preço é geralmente menor que o Steam até para lançamentos. Pelo barulho do twitter, a empresa vem acertando e está tendo bastante sucesso…

    Eu acredito que o valor, principalmente no Brasil, importa e muito.

    • profeloy disse:

      Também acho que o valor importa sim, pois se o cliente entender que o valor cobrado não é justo, a coisa desanda. E no Brasil exagera-se nos preços pois quem paga está pagando também pelos que pirateiam, o que é um absurdo. Mas eu diria que isso é secundário, pois o serviço (ou a falta dele) vem antes.

  7. profeloy disse:

    Acho que foi uma das coisas mais lúcidas que já li sobre o tema. O mercado editorial digital brasileiro ainda peca nesse quesito, na minha opinião.

  8. Gigaflops disse:

    Genial. Às vezes me parece que a indústria de entretenimento é regida por um bando de velhos cabeça dura que prefere dar murro em ponta de faca pela vida toda a se adequar aos tempos. A visão desse cara, pra mim, é “O” caminho a seguir.

  9. Rodrigo Fante disse:

    Fora do Brasil concordo com ele, no Brasil onde tudo custa 2,3x mais que nos EUA e Europa o fato preço infelizmente conta muito, além dos fatores por ele mencionados.

    Eu, não gosto de usar desculpas para explicar minha falta de honestidade, não pirateio, pago por tudo que consumo, as vezes até baixo algumas séries que acompanho por torrent(para não esperar o tal tempo e limitações regionais), mas depois as compro pois consumi, faço questão de pagar, mesmo que não goste do episódio em questão.

  10. RenanD3z disse:

    Aqui no Brasil acontece mais por falta de opção. Concordo com tudo que o cara disse!

  11. guigomesa disse:

    A pirataria tem também os seus prós, ela facilita (pelo menos no Brasil) que o pessoal que tenha baixa renda tenha acesso a este tipo de conteúdo.
    Em uma reportagem, vou citar aqui o Profissão Reporter pois é o mais recente, sobre bandas que fazem sucesso sem estúdios (ao melhor estilo calipso, produz tudo independente), era notável o uso de softs da Adobe por exemplo. Um soft assim no Brasil está na casa de muitos mil reais, mas era utilizado e arrisco a dizer que com um otimo dominio do mesmo…

    No caso de games até a metade do ano eu era sim um gamer pirata, mas descobri o mundo das partidas online onde a minha experiência com o jogo é ampliada, sem falar nos achievements. Agregar um serviço junto ao soft pra mim é a melhor forma de se combater a pirataria.
    Mas é claro que pagar um preço absurdo pelo produto inviabiliza isso.
    Hoje eu compro no formato digital (Alô Nuuvem, chupa paypal que não aceita meu cartão) e quando eu gosto realmente do jogo, procuro a versão deluxe ou similar que normalmente traz encartes e algo mais e compro para ter na estante.

    E claro dentro da conta da pirataria no Brasil, pode-se colocar a cargar tributária que a empresa tem. É bem caro manter um funcionário no Brasil, e a carga tributária em cima do lucro bruto.

    Há e vale ressaltar também a Lei de Gerson (se procurarem na constituição certeza que ela vai estar lá)…

  12. GAN0ND0RF disse:

    Depois do steam confesso que deixei a pirataria de lado, na verdade rodei apenas dois jogos que consegui de forma alternativa, um foi só pra testar, pra ver se rodava bem em minha máquina e ver se valia a pena pagar os 49 obamas cobrados, já que não tinha demos, mas logo em seguidas o comprei. O outro simplesmente não vende em versão digital, não encontro pra vender em caixinha e nem tenho mais drive de dvd, mas se joguei umas 2 horas de jogo foi muito.

    Pela primeira vez desde que comprei meu primeiro jogo no Steam consegui escapar ileso de uma promoção por lá, não peguei nada, mas porque os que eu quero não baixaram o preço por serem lançamentos e os que me interessavam que estava com o preço baixo eu já os possuo.