17 de novembro de 2011

Todos, inclusive empresas de tecnologia, são contra o SOPA nos EUA

16h35, por Jacqueline Lafloufa

Começou a tramitar seriamente no senado norte-americano desde ontem um projeto de lei que pretende diminuir a pirataria de conteúdos da indústria de entretenimento. Para salvaguardar as produções de Hollywood e das grandes gravadoras, a proposta de lei permite que sites que distribuam ou linkem conteúdos piratas tenham seu acesso bloqueado, bem ao estilo do Grande Firewall da China.

O bloqueio proposto pelo SOPA funciona de forma semelhante ao Grande Firewall da China e a propostas do Irã, por exemplo

Assim, o que parecia uma bondosa iniciativa para coibir a pirataria acaba virando censura das bravas, com direito a cinco anos de cadeia para quem distribuir conteúdo que infrinja direitos autorais, bloqueio de acesso a determinados sites e até mesmo suspensão de contas dos responsáveis pelo site em serviços de propaganda como o AdSense. Cá entre nós, a questão da pirataria é mais cultural do que tecnológica e tentar impedir que esse material seja baixado de forma ilegal pela rede através da “força judicial” mais atrapalha do que ajuda.

Por conta das arbitrariedades malucas do projeto de lei, conhecido pelas siglas PIPA (Protect IP Act) e SOPA (Stop Online Piracy Act), empresas do ramo de tecnologia decidiram se manifestar justamente no dia em que eram iniciadas as primeiras avaliações dos projetos, na intenção de conscientizar os cidadãos americanos sobre o assunto e mobilizar a enorme massa de usuários de internet. Aol, eBay, Facebook, Google, LinkedIn, Mozilla, Twitter, Yahoo e Zynga enviaram ao senado americano uma carta pedindo a revisão do projeto de lei e publicaram a mesma em um anúncio de página inteira no jornal The New York Times como uma forma de protesto. Sites como o Firefox e Reddit “censuraram” seus logos para tentar conscientizar seus usuários sobre o projeto de lei e no Tumblr o conteúdo postado pelos próprios usuários foi censurado, bem no estilo que se fazia em épocas de ditadura — ao clicar nos trechos ocultados, uma mensagem esclarecia o protesto e sugeria que o cidadão reclamasse com o político eleito por ele.

E como não poderia deixar de ser, alguns internautas mais bem humorados tentaram chamar a atenção para a necessidade de revisão desse projeto de lei usando um dos ídolos pop do momento: Justin Bieber. O astro adolescente iniciou sua carreira fazendo covers de canções de Rhythm & Blues e postando-as no YouTube, o que seria condenável e passível de condenação de acordo com o SOPA e o PIPA. Surgiu então o site Free Bieber, que pede que os internautas assinem a petição que solicita a suspensão do projeto, ao menos na sua atual forma.

Se aprovados, os projetos de lei, ditos “draconianos” por Eric Schmidt, do Google, representarão um passo para trás nas tantas políticas norte-americanas de liberdade na Internet. “Será estabelecido um sistema de censura usando o mesmo tipo de tecnologia de bloqueio de domínios da China e do Irã”, esclarece o Tumblr em um comunicado oficial. Outro receio é que sejam diminuídos os investimentos em startups e sites novatos, já que o risco de dar de cara com um processo judicial poderia fazer com que muitas iniciativas fossem deixadas para depois. Com isso, o país, que já enfrenta uma crise por conta do desemprego, estaria piorando ainda mais a situação, já que milhares de vagas na área de TI seriam suprimidas por receio dos investidores.

O que acontece se o projeto de lei for aprovado

Resta agora aguardar a reação dos políticos norte-americanos aos diversos protestos, tanto dos internautas como das empresas de tecnologia.

Infográfico completo aqui.

Via BoingBoing e Mashable.

Leia mais sobre: , , , , , , , , .

2 comentários

  1. Mateus Azevedo, #

    Positivo 0

    Quero ver bloquear o Google!
    Até onde sei, eles também linkam conteúdo pirata (indiretamente)…
    Aliás, se não fosse o Google, nenhum site de conteúdo pirata seria facilmente encontrado…